terça-feira, 5 de outubro de 2010

DESIGUAL



Quem diria, logo ela.
"Quando todo mundo é corcunda, belo porte torna-se monstruosidade"
                                                 Honoré de Balzac
 

Quebrando clichês

Ainda gosto das minhas bonecas. Ainda faço coisas que crianças fazem. Parei de cobrar de mim mesma o que sei que nao posso dar.  As coisas perdem a graça se eu não for assim. Perde a graça se eu não for infantil às vezes, pelo menos às vezes.Pelo menos para mim. Tem quem não goste, se irrite. Mas com essa minha infantilidade aprendi que não dá para se preocupar tanto, afinal, crianças não se preocupam.
Pode ser idiota e irritante, mas honestamente, eu não estou nem aí. Tem o que eu julgo idiota e irritante também e digo julgo porque julgo mesmo. Você não vai me ver dizendo que não julgo ninguém e espero não vê-lo dizendo também, acharei que nem você se conhece o suficiente.
Não me conheço o suficiente, não sei que roupa usar às vezes, não sei como eu reagiria numa situação suposta. E, na maioria das vezes, não sei o que dizer para as pessoas. Sei que sou boa com críticas, com grosserias e antipatia. Não me conheço o suficiente para dizer mais nada. Não saio afirmando coisas que sei que, na verdade, são projeções de um ser que não sou. Poderia ser, mas não sou. 
Sou como uma criança, um protótipo ultrapassado. Alguém que sente saudade de toda inocência e verdade delas que carrega um pouco disso consigo. Sou assim porque acredito nas crianças, e só quando são crianças. Sou assim porque 'não faço média, não tenho rótulos, não sigo a massa.' Porque odeio o previsível.

TIME'S UP



Sempre achei que tinha repulsa de 'dar um tempo', mas quem sabe isso seja necessário às vezes. Precisamos nos organizar mentalmente, tirar um tempo para ver quais são as nossas prioridades e se isso deveria estar ali, naquele momento, naquele lugar. Talvez existam coisas que, mesmo que façam falta no futuro, devam ser sacrificadas pelo presente. E pode ser que, no final das contas, nada era tão importante como parecia. Que era substituível, que não era necessário.
E talvez tudo volte com mais intensidade, com mais valor. Porque descobre-se que estava certo, que as coisas estavam no lugar certo e a prioridade era mesmo merecida. Senão isso, descobre que era mesmo hora de sair. Que o tempo tinha acabado.