Hoje mesmo pensei em excluir o blog. Não por ter visto pessoas que escrevem bem e que eu só tento, ou por ler um livro e me deparar com o tanto que ainda tenho que evoluir, se é que isso não se trata de um dom. Quis excluir por que desisto fácil. Achei que não, achei que com o tempo estava me tornando mais paciente e determinada. Mais calma e contudo, mais seletiva.
Errei.
Provo a mim mesma todo momento que tenho capacidade de ser melhor, de ter o que eu quero, de conseguir. Mas as coisas não me prendem. Não me animam quando passam a ser sérias ou então, rotineiras. Tenho vontade de sair da cidade, conhecer pessoas novas, arriscar mais. Ser menos chata, paranóica, histérica. E não levar tudo muito ao pé da letra. Ser mais relevante, compreensível. E, quem diria, amável. Estou acostumada com a antipatia.
Pensei em fazer tudo isso. Mas me prendo. A alguém, a algo. Mesmo achando que não. Mesmo querendo me libertar de tudo que já está igual. De tudo que não parece importar.
Posso até sair da cidade, arriscar mais. Viajar, sumir, evaporar, desaparecer.
Mas junto comigo tem que ir minhas cachorras, eu não vivo sem. Meus pais, minhas amigas. Quero o oposto do que sou, e em consequência, acabo sempre no mesmo lugar.
Continuo querendo cursar medicina, continuo querendo estudar no Dorothea e ver todos os meus colegas todas as manhãs. Continuo querendo entrar no meu quarto ao meio dia e descansar um pouco. Continuo querendo acordar aos sábados com minha mãe gritando que meu quarto está uma bagunça. Ainda quero meu notebook lento, ele me ensinou que até a tecnologia pode ser imprevisível. Ainda preciso sentar no sofá da minha casa e ver a minha cachorra dormindo "desmaiadamente". Ainda quero olhar a minha série preferida no Universal. E têm coisas que falam muito mais alto do que o desejo de sumir, que vem subitamente, repentinamente, constantemente. E o valor das coisas está na necessidade.
Juro que fujo. Mas levo tudo comigo. Porque aprendi a ser assim. Apegada, observadora. Aprendi a gostar mais das coisas. A selecionar o que realmente importa e a sentir que: vontade é uma coisa que dá e passa.
Por trás de tudo isso, há algo que me move. E que ainda me faz acordar todo dia às 5:30 para ir estudar. E o mais interessante: a gostar disso.

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirDe fato, tu! E como sempre digo, eu não encontrara alguém mais segura de si, embora haja essas previsões.
ResponderExcluirEstou adorando o seu blog. Ele é poético, inteligente. Não desista, nunca!
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