Mas quando cai na indiferença percebe-se que é hora de recuar. De tirar a armadura e se jogar no sofá. Ler um bom livro, ou dois, três, quatro... Parar de esperar qualquer passo progressivo. Qualquer coisa que possa vir a surpreender. Às vezes, necessita-se de um tempo para organizar-se. Pensar. Repensar. As coisas acontecem assim, por instinto mesmo, e muitas vezes, não passam disso. O instinto também erra. Precisa parar e pensar. Saber a hora de tirar o time de campo. De desistir, mesmo que no seu aniversário, de receber alguma palavra carinhosa. Logo eu. Logo nós.
Parei. Pensei. Repensei. E me atirei no sofá. Devo estar lendo três livros ao mesmo tempo. Porque chega uma hora que cansa da mesma história. Cansa da mesma conversa de sempre. De esperar por um sinal de vida. Por uma palavra que seja: só para certificar-se que não foi passado para os outros também. Que, de alguma forma, você está vivo neles. Que você existe.
Mas isso, também cansa. Pensar que ainda pensa neles. Que para você eles estão vivos. Que o passado não apaga. Não destrói.
Mas quando percebe-se que ele também nada constrói: cansa.
E depois de tudo isso acontecer... atire-se no sofá. Leia mil livros, eles são a porta de passagem de uma vida não interessante para um lugar onde tudo é possível. E, às vezes, cabe a nós querer tornar tudo possível. Acreditar que somos super-heróis e que isso basta por enquanto.
Mas se isso também cansar: atire-se no sofá, jogue os livros longe e durma. Porque quem não acha uma saída nos livros, pode achar nos sonhos. Se é que nos resta algum.

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